Og Pozzoli | Téchne

Carreira

Og Pozzoli

Há 50 anos no mercado, o economista seguiu a vocação do pai e do avô, pioneiros da impermeabilização, e atuou nas maiores obras do País

Bruno Loturco
Edição 112 - Julho/2006

Da percepção acerca da carência por empresas especializadas em impermeabilização veio a idéia de fundar a Isoterma. A empresa, sediada em um casarão no bairro do Pacaembu,em São Paulo, impulsionou a carreira de Og.

De tantos contratos que fechou em Brasília, indicado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, a Isoterma chegou a ter uma filial na capital. Além da construção de Brasília, trabalhou com Niemeyer em mais de 400 mil m2 na Argélia. Dentre as obras brasileiras que contam com impermeabilização da Isoterma, destacam- se as usinas hidrelétricas de Jupiá, Ilha Solteira e Promissão, dentre outras, alguns trechos do Metrô paulistano e o prédio da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo)

Os projetos do engenheiro, fundador do IBI (Instituto Brasileiro de Impermeabilização) e organizador do primeiro Simpósio Brasileiro de Impermeabilização, levam em conta as características de obra para definir os produtos utilizados. Foi o que fez quando participou, na mesma equipe de Curt Baumgart, do comitê de criação das normas da ABNT que regulamentam o setor. A escolha do material a ser empregado deve considerar o custo-benefício, a finalidade,o efeito – plástico ou decorativo – etc.

Por todas as atividades que exerce além da engenharia, Og enaltece a coexistência entre a frieza da técnica e do empreendedorismo e a sensibilidade humana, esta revelada pelo gosto pela história e pelos automóveis.

Dez perguntas para Og Pozzoli

1 Obras marcantes que participou:
Usinas Hidrelétricas de Jupiá e Ilha Solteira, no Estado de São Paulo, Palácio da Alvorada, em Brasília, e Universidade de Constantine, na Argélia

2 Obra mais significativa da engenharia brasileira:
O Masp (Museu de Arte de São Paulo), pelo enorme vão livre em concreto, e a FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo), com projeto de Vilanova Artigas, de saudosa memória, e com projeto e execução da impermeabilização meus

3 Uma realização profissional:
Ter fundado a Isoterma que continua ativa após cinquenta anos. Todos os meus concorrentes antigos ou já encerraram as atividades ou estão em dificuldades

4 Mestres:
Meu avô, Arthur Pozzoli, que se especializou em impermeabilização na Inglaterra e, em fins do século XIX, veio para o Brasil quando os ingleses desprezavam o campo de trabalho daqui, e meu pai, José Wanderley Pozzoli, que impermeabilizou açudes e reservatórios, além do edifício Martinelli, em 1926, e fundou a Isoterma comigo

5 Por que escolheu a engenharia?:
Foi um encaminhamento natural para quem trabalhou em depósito de materiais de construção e é filho e neto de engenheiros

6 Melhor escola de Engenharia Civil:
Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), mas sem esquecer da Escola de Engenharia de São Carlos, que tem colocado excelentes engenheiros no mercado

7 Um conselho ao jovem engenheiro:
É difícil aconselhar, mas acredito que especialização é essencial

8 Principal avanço tecnológico recente:
O advento dos impermeabilizantes elastoméricos, à base de neoprene, butil e EPDM, que substituem a impermeabilização constituída por várias camadas

9 Indicação de livro:
Manual Prático de Impermeabilização e Isolação Térmica, de Zeno Pirondi

10 Um mal da engenharia civil:
Deixar de pensar na durabilidade dos sistemas e estruturas em uso ao longo do tempo

Em tempo, o Opel P4 1937, que trouxe Og a São Paulo foi vendido. A coleção começou, de fato, em 1958, com a compra de um Lincoln Continental 1948, cujo alto consumo de combustível, decorrente dos 12 cilindros, e os dez anos de idade o tornavam um carro pouco atraente para a maioria das pessoas. "Um carro que não valia nada, mas me permitiu começar a coleção", conta.

A idéia de permitir a visitação pública está sendo estudada,pois,segundo afirma seu dono, "hoje ela pertence mais ao País do que a mim". Foram os carros de Og que transportaram os governantes quando da abertura de todos os trechos do Rodoanel Mário Covas e da nova pista da Imigrantes, em São Paulo, além da família imperial japonesa, em virtude das comemorações dos 70 anos da imigração nipônica,e o Papa João Paulo II, quando em visita ao País. "Um pedaço da história do Brasil passa pela minha coleção", constata.

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