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Sem manobras

Integração entre projeto arquitetônico e estrutural é indispensável para melhor aproveitamento espacial das garagens

por Simone Sayegh
Edição 117 - Dezembro/2006

Um eficiente projeto de garagens divide-se entre o projeto arquitetônico, que prevê adequada modulação de pilares e distribuição de vagas, e o projeto estrutural, que define o perfeito ajuste dos pilares e vigas às necessidades estruturais do edifício. "O trabalho integrado entre arquitetura e estrutura possibilita a obtenção de melhores resultados na utilização dos espaços de garagem", afirma o arquiteto Ronaldo Raciunas, coordenador de projetos da construtora Líder. Assim também pensa o arquiteto Carlos Alberto Maciel, da Raul Neuenschwander Engenharia de Estruturas, escritório de Belo Horizonte. Para Maciel, quando o arquiteto e o engenheiro conseguem equacionar uma integração entre os módulos das estruturas e o do estacionamento, atinge-se o máximo aproveitamento da área, com conforto e redução das áreas de circulação. "Essa coordenação modular possibilita maior número de vagas proporcionalmente à área da garagem, e última instância, economia real", conclui.

De acordo com Raciunas, proporcionar vagas confortáveis também não implica aumento de custo para o empreendimento. As estruturas de transição, resultantes de uma dificuldade de compatibilização entre estruturas superiores e inferiores, podem ser evitadas se o projeto prever uma integrada modulação entre arquitetura e estrutura e o emprego de lajes nervuradas ou de concreto protendido.

"As estruturas de transição são caras e criam pontos de grande tensão", concorda Maciel. No entanto, se existe a necessidade de uma transição entre estruturas, os especialistas concordam que a melhor solução é a mudança na forma dos pilares, mantendo-se o mesmo centro de gravidade, conforme explica o engenheiro Julio Timerman, da CEL Engenharia: "As mudanças de seções dos pilares, também chamadas de transições, são comumente utilizadas nas edificações residenciais, de maneira a adequar as estruturas ao partido arquitetônico".

Nos subsolos, os pilares apresentam secções - quadrada ou circular - que permitem a otimização dos espaços de manobra e estacionamento de veículos. Nos pavimentos-tipo, os pilares se alongam, com o objetivo de embuti-los nas paredes de alvenarias. "Mas se a melhor solução for o emprego de estruturas de transição, o cliente deve se conscientizar que o retorno virá na forma de funcionalidade, durabilidade e segurança estrutural", acredita Timerman.

Exigências legais

Ao definir a altura da garagem, é importante considerar o espaço ocupado pelas instalações elétricas e hidráulicas, que reduzem bastante o pé-direito

As leis que regulam as dimensões das vagas variam de cidade para cidade e devem ser analisadas e atendidas pelo profissional que irá elaborar o projeto. No caso do município de São Paulo, o código de Edificações é regulado pela lei 11.228/1992, que prevê vagas em três tamanhos, além da vaga destinada a deficiente físico, e estipula percentuais mínimos para a utilização de cada tamanho. "É atribuição do arquiteto identificar a que público se destina o projeto, e a partir daí, quantificar as vagas e as dimensões necessárias", afirma Raciunas. Segundo o código, as vagas grandes devem possuir dimensões de 2,50 x 5,50 m, as médias, 2,10 x 4,70 m, enquanto as pequenas devem medir 2,00 x 4,20 m. Para as vagas grandes devem ser destinados, no mínimo, 5% do total de vagas, já as vagas de tamanho médio, 45%, enquanto as pequenas devem ocupar no máximo 50% do total de vagas.

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