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Sistemas de fôrmas

Conheça os principais sistemas de fôrmas para moldar paredes de concreto e os cuidados que devem ser observados na hora de prever, executar e locar ou adquirir a solução

Por Gisele C.Cichinelli
Edição 155 - Fevereiro/2010

Divulgação: MetroForm
Os sistemas de fôrmas plásticas são largamente usados para habitações populares. Os painéis são montados em fábrica de acordo com o projeto
Rapidez de execução, redução de custos com mão de obra, alta produtividade e minimização de erros de execução são algumas das vantagens que vêm à mente do construtor quando o assunto é parede de concreto. Graças a essas características combinadas, o uso do sistema tem sido fortemente impulsionado nos últimos anos. E, a julgar pela demanda de construção de imóveis - sobretudo dos chamados econômicos - aliada ao cenário de escassez de operários, de materiais e cronogramas cada vez mais apertados - uma realidade que já se desenha em diversas praças do País -, a sua especificação em projetos, juntamente com as demais tecnologias racionalizadas, só tende a crescer.

O primeiro passo para fazer valer os benefícios propagados acima e garantir a perfeita execução desse sistema construtivo é a locação ou aquisição de um bom jogo de fôrmas. Entre as opções existentes no mercado, as principais são as fôrmas de madeira, de plástico e as metálicas. Cada um desses sistemas, cabe destacar, apresenta características próprias, com vantagens e desvantagens sobre os demais (leia boxe). Por isso, a escolha da fôrma ideal deve ser pautada por uma série de variáveis que inclui a quantidade de utilizações e reutilizações, necessidade ou não de uso de equipamentos para transporte, vida útil dos painéis, forma de contratação (por aquisição ou por aluguel), entre outras. "No caso das fôrmas metálicas, o custo para aquisição do material deve ser muito bem avaliado, pois é necessário que o volume de repetições seja diluído na obra", observa o projetista Nilton Nazar, da Hold Engenharia.

Independentemente do material escolhido, as fôrmas para moldar paredes de concreto devem ser sempre previstas ainda no projeto executivo, a fim de garantir um dos seus maiores benefícios: a alta produtividade de montagem. Caso contrário, a agilidade de execução pode ser seriamente comprometida em função da necessidade de arremates desnecessários.

Para garantir uma ótima performance do sistema, uma das recomendações dos especialistas é que o comprador realize uma inspeção preliminar das fôrmas ainda na fábrica. "É importante verificar se o alinhamento das peças segue as diretrizes propostas pelo projeto estrutural. A tolerância máxima de erro permitida é de 1 mm, tanto para mais como para menos, e essa diferença tem de ser verificada antes de as peças chegarem ao canteiro, pois, nesse sistema, não há possibilidade alguma de realizar correções na obra", observa o projetista José Roberto Braguim, sócio-diretor da OSMB e conselheiro da Abece (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural).

O sistema de escoramento também deve ser fornecido seguindo a quantidade de vãos e de pavimentos a serem escorados como definidos no projeto. Do contrário, as paredes recém-montadas podem fissurar. No sistema de fôrmas metálicas outro item que merece atenção redobrada é a qualidade das soldas; quando mal executadas, podem interferir no acabamento final da parede.

De acordo com Nazar, os cuidados com o dimensionamento das fôrmas metálicas, normalmente feito pelo fornecedor, devem ser os mesmos que os dispensados às fôrmas de madeira e de plástico, com a diferença de que as primeiras possuem normalmente uma resistência maior que as últimas, propiciando espaçamentos maiores entre as peças de travamento. "Como consequência, pode-se ter um produto acabado com menos pontos a serem retocados. Mas, vale lembrar, a mesma qualidade pode ser alcançada com os outros materiais, contanto que o dimensionamento seja bem feito", completa.

Além dos cuidados com a correta convergência das instalações prediais no sistema, outro item que merece atenção redobrada é a qualidade do concreto destinado a este fim. Para evitar a ocorrência de futuras patologias decorrentes de fissuração, o concreto usado, geralmente do tipo autoadensável, deve apresentar alta trabalhabilidade e pouquíssima retração, o que pode ser conseguido com o uso de aditivos adequados ou até mesmo com reforço de fibras como polipropileno ou náilon. "Como nesses projetos a desenforma é rápida, feita com idades muito baixas, os fenômenos de fissuração precoce podem ser recorrentes."

Vale também destacar que o critério a ser adotado para o dimensionamento das pressões que efetivamente o concreto exerce nas fôrmas ainda não é bem claro. Para exemplificar como o tema ainda é obscuro, a norma alemã DIN (Deutsche Institut Für Normung) apresenta critérios diferentes da norma americana ACI (American Concrete Institute) (veja gráficos ao lado). "No entanto, todas, em seus valores máximos, apresentam um fator comum que é a pressão hidrostática do concreto (peso específico multiplicado pela altura da peça concretada), limite superior da maioria das fórmulas de dimensionamento internacionais", explica Nazar.

Checklist

Os elementos devem permitir a montagem manual das fôrmas, com o menor peso e o menor número possível de peças soltas. As peças devem garantir o alinhamento, travamento e prumo de todos os painéis

A desforma não pode gerar impactos sobre as paredes recém-concretadas

Como o concreto utilizado na maioria das vezes é autoadensável, fôrmas mal vedadas podem comprometer a concretagem e o aspecto final da parede

Os painéis devem garantir uma superfície de parede lisa e sem imperfeições. Quanto menor o número de furos de ancoragem melhor

O sistema deve se adaptar ao menor múltiplo dimensional possível, ajustando-se à arquitetura proposta da casa ou do apartamento, sem necessidade de complementos em madeira. Essa modularidade deve ocorrer tanto na horizontal como na vertical (ajustando-se a diversos pés-direitos) e ainda oferecer solução para os oitões

Os painéis devem permitir a fixação de peças hidráulicas, elétricas, portas e janelas, maximizando assim o processo construtivo e permitindo a moldagem das paredes já com todos esses elementos fixados.

Fonte: Ary Fonseca Jr.

 

Conheça alguns sistemas de fôrmas para paredes de concreto:

Divulgação: MetroForm
Fôrmas de plástico

O sistema de fôrmas de plástico é composto por módulos intercambiáveis de diversos tamanhos com encaixes tipo macho e fêmea. Entre as principais vantagens oferecidas pela solução estão a leveza e a facilidade de manuseio dos painéis, que podem se ajustar às diversas medidas de comprimento e altura exigidas em cada projeto.

O travamento do sistema é feito a partir de quadros metálicos, barras de ancoragem com limitadores para cada espessura de parede, perfis alinhadores, estroncas e aprumadores. Também são utilizados tubos retangulares no radier, com a função de servir de gabarito para o posicionamento das fôrmas e como base de apoio dos quadros metálicos de travamento do sistema.

No segmento de habitações voltadas à baixa renda, são, sobretudo, indicadas para moldar paredes de concreto de unidades habitacionais térreas individuais ou geminadas. Quanto ao custo, as opções de compra ou locação devem ser avaliadas em função do número de unidades a serem construídas. Um ponto favorável a essa solução é que as fôrmas de plástico dispensam equipamentos de transporte. Em virtude do baixo peso - 10 kg/m2 - são facilmente transportadas manualmente. Quando bem conservadas, os fabricantes indicam até 60 vezes de aproveitamento de cada painel.

Divulgação: ConcreoForm
Sistema metálico com contato em madeira

Nesse sistema, os painéis metálicos são combinados a uma chapa de compensado plastificado e estão disponíveis em diversas medidas, permitindo a combinação geométrica em função das mais variadas medidas de cada projeto.

Sua montagem é feita a partir do uso de escoras prumadoras, peças para alinhamento e barras de ancoragem. Na baixa renda, o sistema apresenta boa performance na construção de unidades habitacionais térreas, sejam individuais ou geminadas. Já nas edificações acima de três pavimentos, quando acoplados a peças de enrijecimento, os painéis podem ser içados em conjunto, permitindo maior produtividade ao sistema.

Na hora de avaliar o custo, deve-se levar em conta o grau de repetitividade dos empreendimentos, reaproveitamento dos painéis e equipamentos envolvidos no transporte do sistema. Vale ressaltar que, quando usadas em edificações térreas, as fôrmas de madeira são facilmente transportadas manualmente. Mas, na execução de edificações mais altas, o transporte vertical e horizontal exigirá o uso de grua ou de guindaste.

De acordo com os fabricantes, quando bem conservadas, as chapas de compensado podem ser reutilizadas até 60 vezes.

Divulgação: Forsa
Fôrmas de alumínio

Compostas por painéis leves de alumínio soldados nas uniões, as dimensões dessas fôrmas são bem flexíveis e permitem diferentes combinações geométricas.

Diferentemente dos outros sistemas (nos quais parede e laje são concretadas em duas fases distintas), uma das maiores vantagens desse sistema é permitir que a concretagem das paredes e das lajes seja feita em apenas uma única etapa, agilizando consideravelmente o processo construtivo.

A sua utilização é recomendada para unidades habitacionais de diversas alturas (térreas, assobradadas e em edifícios verticais de até 25 pavimentos). Disponíveis no mercado apenas na opção de compra, o uso das fôrmas metálicas se justifica sobretudo em situações de construções em grande escala. A aquisição nesses casos pode ser um bom negócio, pois, de acordo com os fabricantes, as fôrmas metálicas de alumínio podem ser reutilizadas até 1,5 mil vezes.

Os painéis, mais rígidos e mais duráveis, também permitem um acabamento perfeito. A leveza do sistema é outro ponto que deve ser levado em consideração na hora de avaliar a viabilidade da compra. Graças a essa característica, dispensam gruas e guindastes, sendo transportadas manualmente em qualquer situação de uso.

Fonte: engenheiro Ary Fonseca Jr., diretor da Signo Engenharia de Processo e consultor técnico da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland)

 

Produtos & técnicas

Imagens cedidas pelas empresas
Tecwall

O Tecwall é um sistema construtivo leve, rápido e simples de montar. Composto por painéis plásticos intertravados para moldar paredes de concreto, não possui peças soltas, dispensa estrutura metálica complementar e já prevê as instalações hidráulica e elétrica. A montagem é intuitiva - uma pequena equipe monta a casa em algumas horas - e possibilita um ciclo de construção de uma casa por dia. (16) 9782 4825

www.tecwall.com.br

Imagens cedidas pelas empresas
Comain

A estrutura principal do sistema Comain é composta por um painel de chapa de compensado fenólico e por chapas de aço de alto limite elástico, que garantem grande capacidade de carga contra golpes e mais de mil utilizações. Com o acoplamento de peças de enrijecimento, pode ser transportado mecanicamente em conjuntos de painéis de até 13 m² de uma única vez, otimizando o processo de montagem e desmontagem.

(11) 3883-1300
www.ulma-c.com.br

Imagens cedidas pelas empresas
Lumiform SH

Constituído por painéis fabricados com perfis estruturais de alumínio e chapas também em alumínio, as dimensões do sistema Lumiform SH variam de acordo com o projeto do cliente. Não possui furações para passagem de ancoragens, rebites, emendas ou marcas na face, o que garante um perfeito acabamento da parede de concreto. Cada painel pesa menos de 18 kg/m2 permitindo que a montagem seja feita manualmente. Disponível apenas para venda.

0800 726 7121
www.sh.com.br/sac@sh.com.br

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