Contrapiso autonivelante | Téchne

Tecnologia

Contrapiso autonivelante

Com prazo de execução reduzido e custos muito mais vantajosos, o sistema oferece inovações em relação ao contrapiso tradicional aderido

Por Telma Egle
Edição 164 - Novembro/2010

Fotos: divulgação Gafisa
Com uma demanda cada dia mais crescente de aceleração de prazos no cronograma das obras, não são raros os exemplos de novas tecnologias criadas pelas construtoras - a exemplo do mercado internacional - para otimizar e gerenciar melhor o dia a dia nos canteiros de obras. Um desses exemplos é o da Gafisa, que criou um traço próprio de argamassa autonivelante para piso que prescinde de desempenamento. "O objetivo da empresa foi obter um processo que acelerasse prazo e ainda reduzisse custos nas obras", explica Thiago Leomil, gerente de Controle de Operações, Processos e Especificações da Gafisa. O estudo dessa tecnologia buscou referências em modelos já existentes na Europa. Coube ao Departamento de Desenvolvimento de Operações e Tecnologia da construtora desenvolver um novo modelo de contrapiso autonivelante que apresentasse vantagens consideráveis sobre o traço tradicional disponível no mercado, também conhecido como aderido.

Fotos: divulgação Gafisa
Foto 1 - Misturador acoplado à bomba
Comparação
Traçando um paralelo, o contrapiso normal tem um traço composto de areia e cimento que fixa, por meio de uma ponte de aderência à base de PVA, a laje e a argamassa. Já o novo traço desenvolvido pela Gafisa traz na composição areia, cimento e aditivo (desenvolvido por um laboratório especializado), para aumentar a plasticidade da mistura, garantir a fluidez e permitir o autonivelamento. Entre as vantagens apontadas, o maior ganho está no prazo. "Com o traço aderido (sistema tradicional), a laje de um pavimento de aproximadamente 500 m2 a 600 m2 leva de quatro a cinco dias para ficar pronto. Com o contrapiso autonivelante, é possível fazer até a mesma laje em quatro ou cinco horas com uma equipe de quatro pessoas", conta Rita Patrícia Luz, coordenadora de Desenvolvimento da Construtora. A segunda grande vantagem é a redução da espessura do contrapiso, que cai de 30 mm no tradicional para 5 mm a 20 mm no autonivelante. "Temos um ganho médio de 15 mm no pé-direito", afirma o engenheiro Thiago Leomil. Resistência é outro fator que soma pontos a favor. A NBR 13.281 estabelece a resistência à aderência de 0,30 MPa, e no traço da Gafisa, os testes apontaram uma média de 1,10 MPa, ou seja, quase 40% a mais de resistência em relação ao exigido pela Norma.

Fotos: divulgação Gafisa
Foto 2 - Laje preparada para recebimento do contrapiso autonivelante (uso de talisca - referência de nível)
Sucesso nos testes
Os testes de desenvolvimento do contrapiso autonivelante começaram no primeiro semestre de 2009, em duas das obras da construtora em São Paulo. A aplicação do produto começou primeiramente por ambiente, depois seguiu por pavimento e, por último, na obra toda. A segunda fase dos testes está em andamento em obras no Rio de Janeiro, Salvador, Belém e Curitiba. "A formulação dos traços foi feita por região, analisando-se as diferentes granulometrias das areias das zonas brasileiras. O estudo demandou um pouco mais de tempo, porque precisávamos padronizar mesmo com essas diferenças de granulometria entre as regiões", explica Leomil. O piso serve como nivelador e de base para assentamento de inúmeros revestimentos, como piso cerâmico, carpete, tábua corrida encaixada, mármore e porcelanato, sem qualquer alteração no acabamento.

Fotos: divulgação Gafisa
Foto 3 - Argamassa para contrapiso autonivelante lançada sobre laje
Sistema bombeável
Outra demanda que motivou o desenvolvimento do contrapiso foi o transporte vertical, que geralmente é feito por elevador de cremalheira. A maior dificuldade de uma obra nessa etapa é subir todos os materiais pelo equipamento de transporte vertical, e o contrapiso autonivelante traz, na carona, vantagens nesse aspecto também. Por ser desenvolvido com um sistema bombeável, os materiais ficam dispostos no pavimento em que a argamassa está sendo homogeneizada com um misturador especial (desenvolvido por um fornecedor parceiro da Gafisa). Nesse momento, depois de inseridos e misturados os agregados, a argamassa é lançada em uma bomba acoplada, que a projeta até o pavimento onde será utilizada, dentro do limite de alcance da bomba, até 12 m de altura.
Dessa forma, reduz-se o transporte dos inúmeros sacos de cimento e areia, que era feito pela cremalheira, liberando mais espaço para outros materiais necessários à obra. O sistema é considerado vantajoso inclusive na redução de custos, que chega a ser, segundo Rita Patrícia, de 20% em relação ao método convencional, considerando a redução do consumo de materiais e diminuição da mão de obra necessária à execução e transporte.

Fotos: divulgação Gafisa
Foto 4 - Rodo específico para acabamento do contrapiso
Fotos: divulgação Gafisa
Foto 5 - Contrapiso autonivelante acabado

 

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