Radier protendido | Téchne

Tecnologia

Radier protendido

Edição 185 - Junho/2012

Leonardo Rocha Lima Feitosa
Impacto Protensão
tecnica1.impacto@gmail.com

Luis Alexandre Genuca de Lima
Impacto Protensão
tecnica1.impacto@gmail.com

A cordoalha engraxada para o concreto protendido vem sendo amplamente utilizada nos Estados Unidos desde a década de 60, em edificações residenciais e comerciais e em placas para fundações (radiers), de onde se espalhou para o mundo.

Fotos: divulgação Impacto Protensão
Figura 1 - Apartamentos com fundação tipo radier
Figura 2 - Cordoalha de protensão

O radier de concreto protendido pode ser definido como um tipo de fundação rasa que funciona como uma laje contínua, que está em contato direto com o solo que irá receber as cargas oriundas de pilares e paredes. Este elemento estrutural é utilizado quando as sapatas se aproximam umas das outras ou se sobrepõem e quando se deseja uniformizar os recalques. A utilização do radier protendido reduz o tempo de execução da obra, a mão de obra e o custo em até 30% comparado com outros sistemas de fundações.

Materiais
O radier protendido é feito com armadura ativa, um aço de alta resistência utilizado para protender o concreto, normalmente constituído por uma cordoalha engraxada e plastificada formada por sete fios. A cordoalha, entregue na obra em bobinas, é beneficiada e cortada de acordo com especificações e tamanhos exigidos pelo engenheiro projetista.

Para este tipo de cordoalha, são utilizadas ancoragens e cunhas para a protensão do radier. As armaduras passivas são dimensionadas pelo engenheiro projetista, assim como as armaduras de fretagem necessárias para protensão. O formato do radier é garantido pelas fôrmas de borda, confeccionadas em madeira ou pré-fabricadas em aço.

 

Marcelo Scandaroli
Figura 3 - Cordoalha em bobina
Figura 4 - Ancoragens e cunhas
Figura 5 - Armadura de fretagem

 

Projeto
O terreno onde o radier será executado deverá ter passado por um estudo geotécnico. O local deve estar limpo e livre de qualquer material orgânico que possa acarretar futuras patologias ao sistema de fundações. Caso haja a necessidade de elevação do nível do terreno, proceder ao preenchimento com materiais especificados em projeto. Se necessário, deve ser realizada a drenagem do terreno. É de extrema importância que o solo de base esteja compactado e nivelado para garantir que a cordoalha fique posicionada no centro de gravidade do radier.

Execução
A fôrma da borda do radier deverá ser posicionada no nível do terreno onde o serviço será executado. Deverá estar devidamente fixada, de forma que não saia do local correto na hora da concretagem, e suficientemente estruturada para suportar a fixação das ancoragens da protensão.

Os projetos de instalações hidráulicas, sanitárias e elétricas deverão estar compatíveis com os projetos de protensão para que não haja interferências entre os materiais. Caso ocorram intersecções entre as cordoalhas e as instalações, será necessário prever uma armadura auxiliar de reforço para prevenir a ruptura ou a fissura da placa de concreto.

Figura 6 - Terreno antes e após limpeza
Figura 7 - Corte esquemático radier

 

Após a colocação da fôrma e o correto posicionamento das instalações de água e/ou esgoto, é colocada uma lona plástica para evitar o contato direto das armaduras com o terreno e a perda de água durante a concretagem. É importante preservar a integridade física da lona durante todo o trabalho de montagem.

Em seguida, deve-se colocar as armaduras conforme indicação em projeto. Seguir a sequência de montagem, posicionando primeiro as armaduras passivas (se houver) e depois posicionando e fixando a armadura ativa (cordoalhas de protensão). A montagem das cordoalhas será feita por uma equipe de profissionais especializados para que não haja falhas de execução.

O processo de montagem dos cabos de protensão obedece a uma sequência parecida com a da armadura passiva. Os cabos são dispostos de acordo com os seus comprimentos e sentido devidamente identificados por etiquetas ou cores descritas em romaneios elaborados para este serviço.

No projeto de protensão, podem ser identificados a altura e o espaçamento das cordoalhas, orientações que devem ser rigorosamente obedecidas e verificadas com auxílio de uma trena. A elevação é obtida através de um apoio (conhecido como "cadeira"), fabricado em material plástico ou metálico. No caso do radier protendido, também é possível usar uma peça de argamassa com o mesmo traço do concreto especificado. Estes dispositivos servem para posicionar os cabos em sua respectiva posição de projeto, prevenindo deslocamentos antes e durante a concretagem.

Figura 8 - Detalhe do posicionamento da cordoalha
Figura 9 - Ancoragem fixada na fôrma
Figura 10 - Instalações e cordoalhas
Figura 11 - Lona plástica
Figura 12 - Armaduras passivas e ativas

 

Qualidade
Ao fim da montagem, deverá ser feita limpeza para remover as impurezas que possam prejudicar o desempenho do elemento estrutural. A liberação para a concretagem só ocorre depois de inspeção final realizada por profissionais capacitados.

Depois da concretagem e cura do concreto, a cordoalha é tracionada conforme especificação do projeto. A tração é feita com um conjunto de bomba e macaco hidráulico devidamente aferido.

Para efeito de verificação da força aplicada, é medido o alongamento do cabo após a tração. Estes alongamentos são analisados por uma equipe técnica especializada no serviço. Após a análise, finalmente é feita a liberação para o corte da cordoalha excedente, com a conclusão do serviço.

Fotos: Divulgação Impacto Protensão Fotos: Divulgação Impacto Protensão Fotos: Divulgação Impacto Protensão
Figura 13 - Funcionário montando radier
Figura 14 - Posicionamento das cordoalhas
Figura 15 - Conferência da protensão
Fotos: Divulgação Impacto Protensão
Figura 16 - Equipamentos de protensão

 

Referências Bibliográficas

NBR 6118:2007 - Projeto de Estrutura de Concreto - Procedimento. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Rio de Janeiro, 2007.

Como Construir - Pisos e Pavimentos de Concreto Protendido. Revista Téchne no 55, outubro 2001

Comentários Técnicos e Exemplos de Aplicação da NB-1 (Publicações Especiais Ibracon). Instituto Brasileiro do Concreto. São Paulo, 2007.

Manual para a Boa Execução de Estruturas Protendidas Usando Cordoalhas de Aço Engraxadas e Plastificadas. Eugênio Luiz Cauduro. 2ª Edição. São Paulo: Belgo Mineira, 2002.

Site Impacto Protensão.
www.impactoprotensao.com.br.

 

 

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