Conheça as alternativas para fazer a cura de elementos de concreto | Téchne

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Conheça as alternativas para fazer a cura de elementos de concreto

Métodos podem ser combinados para evitar a evaporação da água de hidratação e garantir o desempenho estrutural

Hugo Sefrian Peinado
Edição 201 - Dezembro/2013
 

Foto: acervo do autor
Figura 1 - Fissuras por cura inadequada do concreto (vista superior da laje)

Para se obter uma estrutura de qualidade, o lançamento do concreto deverá ser seguido por um processo de cura durante os primeiros estágios de endurecimento. Esse processo se caracteriza por uma série de procedimentos que visam a impedir a evaporação da água necessária à hidratação do cimento e, por conseguinte, ao incremento de resistência do material (Souza, Ripper, 1998; Neville, Brooks, 2013).

A inobservância desses procedimentos afeta não apenas a resistência, mas também a durabilidade do concreto, com efeitos negativos relacionados à permeabilidade, à resistência à abrasão, à estabilidade volumétrica, à resistência ao congelamento/ degelo e à resistência aos agentes agressivos. A perda de água, agravada pelo processo de cura inadequado, ocorre principalmente na camada mais superficial do concreto (figura 1), responsável pela proteção das armaduras contra ataques químicos (Aïtcin, 2000; Neville, Brooks, 2013).

Apesar disso, a cura do concreto é usualmente negligenciada, já que os procedimentos recomendados tendem a interferir negativamente na velocidade de execução da obra e não são percebidos como essenciais para a sua durabilidade. Isso se deve ao fato de que as patologias decorrentes das práticas inadequadas não são, muitas vezes, observadas nas primeiras idades do concreto.

Desse modo, verifica-se que a atenção com o processo de cura é de fundamental importância para que a estrutura de concreto armado apresente o desempenho esperado ao longo de sua vida útil.

Tempo de cura do concreto
A NBR 14.931:2004 - Execução de Estruturas de Concreto - Procedimento destaca que, enquanto não atingir endurecimento satisfatório, o concreto deverá ser curado e protegido contra qualquer agente que lhe possa causar danos (perda de água pela superfície exposta, por exemplo). Para elementos estruturais de superfície, como lajes, a NBR 14.931:2004 enfatiza que a cura deve se dar até que o concreto atinja resistência característica à compressão (fck) igual ou superior a 15 MPa.

 

Fotos: acervo do autor
Figuras 2 e 3 - Cura úmida do concreto por molhagem constante

 

Tem sido aceito pelo meio técnico e científico a definição da duração do processo de cura em função do tipo de cimento e da relação água-cimento do concreto, conforme se observa na tabela 1.

Portanto, compete ao responsável pela execução da estrutura da edificação verificar a relação água- cimento e o tipo de cimento empregado no concreto em uso, para identificar a duração adequada para a cura do(s) elemento(s) estrutural(is) no canteiro de obras.

Fotos: acervo do autor
Figura 4 - Aspersor utilizado no processo de cura do concreto

Métodos de cura do concreto
Há várias maneiras de realizar a cura de elementos estruturais em concreto. A escolha do processo mais adequado para cada situação dependerá do tipo de material disponível na obra, do tamanho e do formato da estrutura, das condições climáticas, além de aspectos econômicos e estéticos. Dentre os diversos métodos, destacam-se aqueles que são de fácil aplicação em canteiro de obras:
- Molhagem constante;
- Aspersão;
- Irrigação;
- Alagamento;
- Cobertura com tecidos/mantas úmidos(as);
- Cura química (compostos formadores de membranas de cura).

 

 

Molhagem constante
O processo mais comumente empregado na cura do concreto de estruturas é o de molhagem constante, que consiste em molhar repetida e constantemente as peças em concreto, fazendo-se uso de uma mangueira (figuras 2 e 3), durante o período designado. O método de molhagem constante é possível de ser aplicado na maioria dos casos, desde que não apresente dificuldades e riscos à mão de obra, como é o caso da molhagem de vigas isoladas estreitas em alturas elevadas.

Para a aplicação desse método, é necessário apenas que haja disponibilidade de pontos de água no local em que se está executando a estrutura, mangueira com tamanho suficiente que possibilite o lançamento de água sobre toda a superfície do concreto submetida ao processo de cura e pessoal disponível em período integral para que o processo de cura se dê de forma ininterrupta.

 

Fotos: acervo do autor
Figuras 5 -Distribuição dos aspersores deve garantir o lançamento uniforme da água em toda a superfície, evitando a ocorrência de áreas secas
Figuras 6 - Detalhe dos fios de água lançados pelos microfuros da mangueira

 

Rotineiramente, observa-se a interrupção do processo de molhagem ao final do dia e sua retomada no dia seguinte. Nesse contexto, importa ressaltar que, conforme reporta a bibliografia, essa interrupção, mesmo que ocorra no período da noite, implica a diminuição dos ganhos de resistência do concreto no período, assim como outros prejuízos à durabilidade da estrutura. Portanto, caso não haja disponibilidade de funcionários em período integral, recomenda- se o estudo de outros métodos de cura.

 

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