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Planejamento

Veja soluções técnicas que alavancaram a produtividade de nove obras brasileiras

Tecnologias e processos otimizados agilizam cronograma da obra, mas bons resultados dependem de planejamento integrado

Juliana Nakamura, Valentina Figuerola e Maryana Giribola
Edição 206 - Maio/2014
 

Marcelo Scandaroli
Velocidade de execução e alta produtividade são características de sistemas construtivos como o de paredes de concreto. Mas para que os ganhos apareçam, as demais atividades precisam acompanhar o ritmo de produção mais veloz

O sucesso na escolha e implantação de um novo equipamento ou sistema construtivo depende muito mais do que de apenas um estudo aprofundado da tecnologia em si. Para que ganhos de produtividade se concretizem, é preciso que as atenções estejam voltadas também para dentro da obra, ou seja, para os projetos, para o canteiro, para os processos e, obviamente, para a mão de obra de execução. Tudo precisa ser analisado de forma integrada para que a tecnologia embarcada agregue à obra ganhos reais.

"A chave está no planejamento. Não podemos analisar os processos e subsistemas construtivos isoladamente, pois muitas vezes o ganho de produtividade em uma atividade específica do cronograma não permeia as etapas subsequentes, podendo até ocasionar perdas ao final da obra", alerta a engenheira Fabiana Luppi Ballalai, consultora do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE) na área de Inovação e Tecnologia. Segundo ela, a decisão de utilizar uma nova tecnologia deve ser pautada em uma análise abrangente de projeto e sistemas construtivos, das condições locais e do canteiro, e da disponibilidade dos fornecedores. "No caso de equipamentos como gruas, devem ser analisados se os fornecedores de materiais estão preparados para fornecer seus produtos em paletes e qual o impacto de custo que a obra terá com isso", exemplifica.

"A tecnologia deve favorecer a qualidade do produto e o aumento da produtividade garantindo a segurança dos trabalhadores", defende a engenheira Rosana Leal, consultora em logística de canteiro. Ela lembra que um novo material poderá reduzir o tempo de produção, mas se a movimentação exigir um equipamento que não se encontra disponível, ou a sua operação não garantir a segurança daqueles que circulam no canteiro de obras, o que inicialmente se apresentava como favorável pode se transformar em um problema e gerar o estrangulamento da produção.

Divulgação: Odebrecht Realizações Imobiliárias
Para a construção de uma torre comercial que compõe o Parque da Cidade, em São Paulo, estão sendo empregadas três gruas. A intenção da construtora é evitar gargalos de produção da estrutura, que tem ciclo de seis dias e utiliza lajes alveolares pré-fabricadas

Engrenagem em funcionamento
Os ganhos obtidos com a introdução de tecnologias para aumento da produtividade costumam ser proporcionais à qualidade do planejamento empregado. "Tal planejamento, na verdade, deve começar antes mesmo da mobilização do canteiro, ainda no projeto", acredita Eduardo Frare, diretor de construção da Odebrecht Realizações Imobiliárias (OR). Ele cita a utilização de banheiros prontos, solução que vem sendo utilizada pela construtora no empreendimento mixed use Parque da Cidade, em São Paulo. Segundo Frare, esse tipo de industrialização agrega muito valor porque tira do canteiro muitas etapas de execução, como colocação de bancadas, forro, iluminação etc. Porém, só funciona bem quando respaldada por estudos prévios detalhados. "É preciso prever onde o caminhão encostará na hora de entregar os banheiros, que equipamentos de movimentação utilizaremos, bem como verificar se o tamanho dos vãos da nossa estrutura permite a entrada do módulo pronto", comenta o engenheiro.

O planejamento é ainda mais crítico para as construtoras que, como a OR, apostam na substituição de tecnologias construtivas por sistemas industrializados. Esse é também o caso da Matec, que aboliu de vez a alvenaria de seus projetos e vem buscando reduzir a quantidade de mão de obra alocada nos canteiros com a utilização de soluções como elementos de concreto pré-fabricados, estruturas metálicas, painéis autoportantes de concreto e painéis arquitetônicos de fechamento.

"Quando a gente transforma o canteiro em um local de montagem de componentes pré-fabricados, não há margem para improvisação e qualquer peça que chega errada simplesmente trava tudo", explica o diretor de engenharia, Marcelo Pulcinelli. "Por isso, dedicamos um esforço muito maior no detalhamento do projeto e no planejamento, tanto do processo de fabricação dos elementos, quanto da obra. Além disso, nosso planejamento no escritório é semanal e, na obra, diário", continua o engenheiro da Matec.

Marcelo Scandaroli
Elevar o grau de industrialização é uma das estratégias eficazes para maximizar a produtividade e reduzir a demanda por mão de obra nos canteiros. Contudo, exige planejamento e projetos mais apurados

No canteiro
A escolha por construtoras de tecnologias para elevar a produtividade costuma se focar em três principais aspectos, de acordo com o engenheiro Ubiraci Espinelli Lemes de Souza, professor da Poli-USP e diretor da Produtime Gestão e Tecnologia. O primeiro deles é a relevância do serviço quanto ao consumo de mão de obra. Há atividades, como fôrmas, armaduras, concretagem e alvenaria que são intensas consumidoras de mão de obra e que, por isso mesmo, podem ganhar muito com racionalizações e melhorias de processo. Souza explica que vale também observar alternativas que possam auxiliar a execução dos serviços que estão no caminho crítico da obra, ou seja, aquelas etapas que criam o efeito bola de neve quando atrasam. Esse é o caso da estrutura. Há ainda as oportunidades tecnológicas oferecidas pelo mercado. "A todo o momento surge uma novidade que promete ganhos de produtividade. No momento da tomada de decisão, é interessante que o construtor observe a potencialidade de ganhos e, principalmente, a confiabilidade da tecnologia", sugere Ubiraci de Souza.

Independente da tecnologia envolvida, falhas no planejamento da obra e das condições de implantação no canteiro são grandes indutores de perdas de produtividade e de desperdício de materiais. "Muitas vezes o construtor esquece que o canteiro precisa ter acessos adequados que permitam a mobilidade dos equipamentos que transportam materiais, maquinários e sistemas até o local de aplicação", diz Fabiana Ballalai.

Muitos erros ocorrem, por exemplo, na especificação e no dimensionamento de gruas e outros equipamentos de movimentação de cargas, que precisam ser cuidadosamente estudados para evitar gargalos de produção ou ociosidade das máquinas. "Os equipamentos de movimentação são importantes instrumentos para melhoria da qualidade do produto e para substituir força, agregando saúde e conforto ao trabalhador. Mas é preciso saber usá-los direito, ou eles podem se transformar em problemas", alerta Souza, destacando a importância de a introdução de maquinário estar vinculada a estudos de logística, ao treinamento de funcionários e a bons projetos de produto, de processos e de produção.

 

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