Estádios da Copa 2014 - Arena Corinthians | Téchne

Obras

Estádios da Copa 2014 - Arena Corinthians

Em São Paulo, construtores apostam em pré-moldados para driblar atrasos no cronograma; acidentes fatais marcam final das obras do Itaquerão

Bruno Loturco
Edição 207 - Junho/2014
 

Divulgação: Portal da Copa
RESUMO DA OBRA
Arena Corinthians
Localização:
São Paulo
Valor da obra: R$ 820 milhões
Capacidade: 69.160 mil lugares (48 mil após a Copa)

Antes mesmo de começarem, as obras na Arena Corinthians já enfrentavam o desafio de realocar dois dutos de gás da Transpetro, empresa subsidiária da Petrobras, que atravessavam, enterrados, o terreno do estádio, comprometendo os trabalhos nos setores Oeste e Norte.

A remoção e realocação dos dutos, com 22" e 24" de diâmetro, foram feitas por empresa especializada, mas o cronograma previsto atrasou seis meses - os trabalhos só foram finalizados em abril de 2012.

Divulgação: Portal da Copa
Estacas pré-moldadas centrifugadas proporcionaram, segundo a construtora, rapidez e limpeza à execução das fundações, em comparação com alternativas moldadas in loco

Ainda nas fundações, o projeto original previa a execução de 3.300 estacas- hélice e estacões. Devido à alta probabilidade de haver rochas nas camadas que seriam escavadas, o que inevitavelmente causaria atrasos no processo, a solução foi considerada arriscada pela equipe de engenharia da obra. Por isso, a metodologia efetivamente adotada foi a de estacas pré-moldadas centrifugadas que, conta a Odebrecht, proporcionaram rapidez e limpeza à execução quando comparadas às alternativas moldadas in loco. Apenas em pontos sujeitos a esforços de tração em virtude de água e lama no subsolo é que foram adotadas estacas-raiz ou estacas pré- -moldadas inclinadas.

Para dar ainda mais agilidade à etapa, a Odebrecht conta ter exigido a operação de bate-estacas hidráulicos. Os argumentos da empresa remetiam à maior facilidade de movimentação e menor influência do operador, qualidade e precisão proporcionadas por esse tipo de equipamento. Assim, de um total de 14 bate- estacas trabalhando simultaneamente no canteiro de obras, dez eram hidráulicos.

Com isso, as estacas-hélice foram executadas apenas nos pontos mais próximos à contenção, especialmente nas rampas de acesso à arena, para evitar vibrações que poderiam afetar a estrutura.

Bruno Loturco

Bruno Loturco

Acidentes fatais
Em 27 de novembro de 2013, pouco menos de um mês antes da entrega da obra, a última peça da cobertura da Arena caiu sobre a fachada do prédio Leste e sobre um caminhão quando estava sendo posicionada por um guindaste. Com a queda da viga de 420 t, dois operários morreram. Estudo da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ) contratado pela fabricante do guindaste indica afundamento do solo como causa. Já a Odebrecht descarta essa hipótese e, também em laudo, aponta como possíveis causas erro de operação ou problemas no equipamento. O laudo oficial, preparado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), não havia sido divulgado até o fechamento desta edição. A construtora afirma que o guindaste utilizado era o maior do País, com 114 m de altura e capacidade para erguer até 1,5 mil t. Outro acidente vitimou mais um operário das obras da Arena que sediará a abertura da Copa. Dessa vez, a morte foi decorrente de acidente ocorrido no dia 31 de março de 2014. Fabio Hamilton da Cruz caiu durante a montagem da estrutura metálica das arquibancadas provisórias.

 

Precisão estrutural

Divulgação: Portal da Copa/ME

A estrutura da Arena Corinthians é composta majoritariamente por elementos prémoldados em concreto. Esses elementos, que pesam entre 18 t e 35 t, foram fabricados no próprio canteiro, pois a movimentação pela cidade seria complicada. As arquibancadas são compostas por segmentos de lajes alveolares protendidas, que se apoiam sobre vigas jacaré que, por sua vez, estão sobre os pilares. Revestimento com capa de concreto armada com telas soldadas finaliza o acabamento das arquibancadas. Elementos em balanço foram solidarizados com elementos de aço, como pinos, roscas e luvas. De acordo com a Odebrecht, construtora responsável pela obra, os pré-moldados foram escolhidos devido à precisão geométrica e à redução do prazo executivo que proporcionam. Estruturas moldadas in loco demandariam cimbramento por ao menos 28 dias, por exemplo. Blocos de fundação e pilares pré-moldados são unidos por cálices, com parafusamento e grauteamento.

PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>
Destaques da Loja Pini
Aplicativos