Estabilidade dimensional e resistência mecânica determinaram a madeira laminada colada na reforma da Biblioteca Paulo Freire, em Itaipu | Téchne

Obras

Estabilidade dimensional e resistência mecânica determinaram a madeira laminada colada na reforma da Biblioteca Paulo Freire, em Itaipu

Tecnologia em madeira

Juliana Nakamura
Edição 208 - Julho/2014
 

A estrutura de sustentação da cobertura é executada em peças de madeira laminada colada (MLC) confeccionadas com pínus de reflorestamento. A estrutura se apresenta como uma grelha horizontal com vãos que chegam a 12 m de comprimento

RESUMO DA OBRA
Biblioteca Paulo Freire
Local:
Foz do Iguaçu (PR)
Área de intervenção: 4.000 m²
Área construída: 2.263 m²
Ano do projeto: 2009
Início das obras: 2011
Término das obras: 2014

O Parque Tecnológico de Itaipu (PTI), em Foz do Iguaçu (PR), é um centro de ensino e pesquisa em educação, ciência e tecnologia, instalado em uma área de 116 ha onde ficavam os alojamentos dos operários que trabalharam na construção da usina de Itaipu, que durou entre 1975 e 1982.

Fotos: Saga Fotografia
Reforçando o caráter sustentável do edifício, foram projetadas aberturas zenitais nas salas administrativas e na área do acervo com fechamento em vidro

Uma das edificações mais importantes para o desenvolvimento do Plano Diretor do PTI, desenvolvido em 2008, é a Biblioteca Paulo Freire, concluída em 2014, com 4.000 m² de área total. Com dois pavimentos, o prédio foi erguido para abrigar as bibliotecas da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), da Itaipu e da Fundação PTI.

Além de um amplo salão para a conservação de todo esse acervo, o prédio conta com um auditório para 70 pessoas, espaço ecumênico, cafeteria e um quiosque de serviços de reprografia (reprodução de documentos). Também há salas de estudo, pesquisas, exposições e administrativas, além de um espaço de convivência com passarelas, jardins internos e espelhos d'água.

O projeto é envolto de muita simbologia. A Biblioteca foi projetada sobre as ruínas do último dos barracões utilizados como moradia pelos construtores de Itaipu que ainda conservava suas características originais. "O projeto assumiu a responsabilidade de preservar essa memória, mantendo parte destas ruínas tal como se encontravam", explica o arquiteto Leonardo Poletti, sócio do 3C Arquitetura, responsável pelo projeto de arquitetura da Biblioteca e pelo Plano Diretor do PTI.

A área das ruínas passou por processo de limpeza e estabilização, dando origem à entrada principal da edificação. A partir desse acesso principal, a biblioteca distribui suas atividades entre salas de estudo, áreas administrativas, de apoio, de convívio e acervo, criando interfaces sucessivas entre o antigo barracão e o novo prédio.

Materiais conhecidos, soluções diferentes
Entre as diretrizes que pautaram a construção da biblioteca está a adoção de sistemas construtivos industrializados, especialmente para a execução da estrutura. A preocupação era racionalizar os recursos e garantir a execução precisa das características principais do projeto. Para a estrutura principal da biblioteca optou-se pelo uso de peças de concreto pré-moldado. As lajes pré-fabricadas adotaram componentes de isopor.

Na montagem da laje, as vigotas são dispostas espaçadamente, e nesses espaços são colocados elementos leves de enchimento - no caso, as peças de isopor. Além de serem mais leves que o concreto, o material também tem baixa condutibilidade térmica, e por isso o sistema contribui para o conforto térmico do prédio. Sobre as vigotas, foi feito capeamento de concreto e posteriormente impermeabilização com manta asfáltica.

Para atender aos trechos da estrutura que precisavam vencer pequenos vãos, os pilares e vigas chegaram prontos ao canteiro. Já as vigas necessárias para vencer os vãos maiores, que chegam a 12,3 m, utilizaram protensão e foram pré-moldadas no próprio canteiro, para facilitar o transporte e a montagem. O pé-direito no edifício varia entre 3,1 m (na área administrativa) e 5,9 m (no salão principal, abaixo da estrutura de madeira).

A maior parte dos elementos estruturais de concreto foi mantida aparente, recebendo apenas tratamento para recuperar partes danificadas durante a instalação ou nos locais onde foram chumbados os ganchos para içamento das peças.

A construção transcorreu no período de pouco mais de um ano a partir da contratação da Tarobá, empresa que concluiu a obra. Antes disso, a obra já havia sido iniciada e paralisada em função da dificuldade da construtora anterior concluir a empreitada.

Renato Camargo, diretor da Tarobá, conta que foi preciso uma fina articulação entre a construtora e os fornecedores para que não houvesse mais atrasos no cronograma. Do ponto de vista técnico, a maior dificuldade foi a instalação das vigas de madeira de grandes dimensões. "Nesse ponto, foi fundamental o apoio de um guindaste sobre pneus de 18 t e com lança de 12 m", revela o engenheiro.

 

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