Sustentabilidade ao alcance | Téchne

Editorial

Sustentabilidade ao alcance

Edição 243 - Junho/2017
Luis Gomes
Paulo Kiss

Segundo o Green Building Council, o incremento de custos para tornar um empreendimento sustentável oscila entre 0% e 4%. No Brasil, um outro levantamento feito por uma consultoria especializada em edificações calcula esse número entre 0,5% e 2%. O baixo investimento adicional, portanto, colocaria por terra o principal argumento das pequenas e médias construtoras para não investir em sustentabilidade. A razão para a desconfiança está sempre atrelada à necessidade de equipamentos e sistemas de alta tecnologia e custos elevados. Na verdade, porém, boa parte do escopo de sustentabilidade repousa numa arquitetura de alta performance, design, volumetria e orientação adequados - enfim, boa arquitetura na prática.

Os construtores e incorporadores mais céticos sobre sustentabilidade elencam ainda duas razões para não investir: complexidade construtiva e falta de valor agregado para o mercado comprador e de locação. Inserir num projeto mais interfaces e necessidade de coordenação numa atividade de baixo desempenho e produtividade é tudo o que o construtor não quer. Felizmente, a indústria da construção, como outra qualquer, não está imune aos cases e às influências de um mundo globalizado. Junto com empresas estrangeiras, chegam tendências, demandas e compromissos, entre eles o da sustentabilidade.

Nesta edição, Téchne mostra um desses cases emblemáticos de sustentabilidade no Brasil. O Edifício Pátio Victor Malzoni, triple A inaugurado em 2012, em São Paulo, hospeda grandes empresas como Google, Tecnisa, BTG Pactual e Banco BVA. Além do imponente vão livre de 40 m e uma certificação Leed for Core & Shell, o edifício acomoda uma das maiores estações prediais de tratamento de águas. Com três sistemas independentes, o Malzoni reúsa 100% de águas cinza e faz aproveitamento de águas pluviais e águas de lençol freático. Segundo a administradora, são 3 mil m3 de água a menos que seriam consumidos em torres de resfriamento, irrigação e saneamento. O investimento total na miniestação foi de pouco mais de R$ 100 mil, e o custo de manutenção gira em torno de R$ 5 mil mensais.

O case Malzoni mostra mais do que algumas boas tecnologias. Ele desmistifica a ortodoxia dos custos de equipamentos e sistemas sustentáveis, apresenta alternativas na gestão de facilities e cria novos parâmetros para a avaliação de desempenho das edificações. Em bom tempo, o marketing das certificações deve pouco a pouco dar espaço a exemplos claros que orientem as ações de construtores e incorporadores.

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