O potencial das madeiras de reflorestamento | Téchne

Tecnologia

O potencial das madeiras de reflorestamento

Ubiratan Leal
Edição 70 - Janeiro/2003
Projetos devem considerar características de desempenho de cada espécie, como permeabilidade, resistência e dureza


Pelo apelo estético, é comum escolher-se uma madeira por aparência, textura ou tons. O método não deixa de ter seu valor, mas muitos outros parâmetros devem ser analisados cuidadosamente. Propriedades como resistência à compressão, durabilidade e massa específica variam de acordo com a espécie botânica.

São esses aspectos que devem pautar o projeto de uma edificação de madeira. Em princípio, todas as espécies são adequadas, desde que as características de desempenho sejam respeitadas (ver tabela), como ocorre na especificação de cimentos ou concretos com propriedades diversas. A norma brasileira adota o conceito de classes de resistência justamente para permitir a utilização de várias espécies de propriedades similares em um mesmo projeto.

Pela disponibilidade e facilidade de desdobro, as madeiras de reflorestamento são as mais empregadas em edificações. Também são razões o maior controle da qualidade (ver boxe) e o conhecimento mais profundo das características dos materiais. Além disso, a industrialização permite peças prontas para cada utilização, reduzindo o tempo de execução.

Além das propriedades mecânicas, o projeto deve considerar aspectos de durabilidade, como o nível de exposição da madeira e o tipo de ambiente com que o material mantém contato. "Há recomendações de tratamento para cada classe de risco", afirma Carlito Calil Júnior, professor da USP de São Carlos. "Um projeto bem detalhado pode evitar problemas de umidade ou exposição solar demasiada, por exemplo."

Uso ainda raro
A madeira é versátil como muitos outros materiais difundidos na construção civil e não faltam árvores no País. Qual a razão de a madeira ainda ser vista como material secundário em boa parte dos casos? A resposta imediata é a falta de cultura de uso do material, já que os portugueses colonizadores teriam priorizado a alvenaria. A exceção seria a região Sul, com raízes germânicas.

O argumento é verdadeiro, mas há outros fatores que podem ser apontados. A falta do uso tornou a madeira um material razoavelmente desconhecido do meio técnico. "Em geral, o conhecimento técnico ainda não é bom e fica mais restrito a quem trabalha diretamente com tecnologias que empregam a madeira", comenta Nílson Franco, pesquisador da Divisão de Produtos Florestais do IPT e um dos responsáveis pelo projeto "Casa de Madeira", iniciado em 1992 e que até hoje, é usado pelo Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP para estudos de desempenho e consumo de sistemas elétricos.

Como a madeira é um material de origem orgânica, não possui a uniformidade de desempenho de materiais industrializados. Por isso, em muitos casos a melhor solução técnica é usar mais de uma espécie no projeto. Caso a estética ainda seja determinante, tratamentos podem alterar a aparência da madeira.



Descupinização

Uma das vantagens do uso de madeira reflorestada é o grande conhecimento a respeito das propriedades e o controle na produção. Nesse aspecto, destaca-se a possibilidade de tratamento contra ataques biológicos, como cupins e fungos.

As maiores "armas" são o arseniato de cobre cromatado (CCA) e o amoniacal (ACA), que penetram na madeira, tornando-a resistente à lixiviação (retirada dos sais por meio de lavagem).

A aplicação se dá por vácuo-pressão, no qual a madeira é seca e tem todo o ar interior retirado. Depois, o material protetor é colocado sob pressão, preenchendo cada espaço no interior da madeira. Além de evitar o ataque contra insetos xilófagos e fungos, o tratamento aumenta a durabilidade da madeira no contato com a umidade.

A madeira de reflorestamento conta com duas características que facilitam a produção em larga escala. Elas são plantadas com sistemática não-natural.

A adoção de pínus e eucaliptos se dá pelo crescimento rápido da árvore (a partir de 25 anos é possível cortar) e por se adaptarem bem ao clima e solo brasileiros


Leia mais

NBR 7190/97 Projeto de estruturas de madeira - ABNT
Fichas de Características das Madeiras Brasileiras. Divisão de Produtos Florestais do IPT
IDHEA (Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica): www.idhea.com.br
A experiência ensina. Revista Téchne no 22
Popular com tecnologia.
Revista Téchne no 59
Como construir casas com frames de madeira. Revista Téchne no 69
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